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Glossário - A a Z das
armas
A
Acessório da armaria - qualquer ferramenta ou petrecho, não
pertencente a uma arma, mas que é necessário ao seu funcionamento ou
manutenção.
Acessório de munição - qualquer ferramenta ou petrecho, usado na
manutenção de uma munição, mas não no seu funcionamento direto.
Acha - arma com feitio de machado, o mesmo que acha-de-armas.
Aço - Liga de ferro e carbono (teor de carbono variável entre
0,008% e 2,000%). que pode conter, outros elementos residuais resultantes
do processo de fabricação.
Adaga - termo genérico indicando arma branca, curta, com um ou
dois gumes e terminando em ponta.
Adarme - unidade de peso arcaica, equivalente a meia oitava ou
seja, 1,793 gramas. Em armas de fogo portáteis, o termo era usado para
indicar o calibre da arma em relação ao número de projéteis esféricos
de chumbo que podiam ser fabricados por cada libra de chumbo. Assim, uma
arma de adarme (ou calibre) 12, disparava um bala de 38 gramas
(459g/12=38,25g). Desta forma, quanto maior o adarme, menor o calibre:
adarme 12=19 mm, adarme 17=17,5 mm e assim por diante. Este sistema de
medição de calibres ainda é usado em armas de caça de cano liso.
Agulheta - pequena agulha usada na limpeza dos ouvidos das armas
portáteis de carregar pela boca.
Alabarda - combinação entre machado e a lança, consistindo de
uma haste longa, terminada em ponta, tendo esta uma lâmina e gancho
perpendiculares.
Alçapão - armadilha para apanhar pássaros.
Aljava - estojo para colocação de flechas ou virotes.
Alma - "vazio interior cilíndrico, liso ou raiado das armas
de fogo, destinado a receber a carga, resistir aos gazes produzidos pela
combustão da pólvora e dirigir o projétil".
Almotolia - pequeno vaso para colocação de líquidos
lubrificantes.
Arapuca - armadilha para apanhar pássaros.
Arcabuz - nome derivado do alemão Hakenbuche - arma com gancho.
Este tipo de arma foi usado entre os séculos XIV e XV, sendo o nome usado
nos séculos XVII e XVIII para indicar um tipo de arma leve, que podia ser
disparada sem o uso de uma forquilha.
Archa - espécie de alabarda com duas lâminas (sem o gancho) e uma
ponta.
Arco - peça formada por uma haste flexível cujas extremidades estão
ligadas por uma corda ou correia, compondo com a flecha uma arma de
arremesso.
Arma - instrumento ou engenho de ataque ou de defesa. Por extensão,
qualquer coisa que sirva para um desses fins.
Arma branca - termo genérico que indica as armas feitas de metal e
que causam danos pela ação de um gume ou ponta, sendo que a força
motriz é somente humana. Contrapõe-se a arma de fogo, que arremessa o
projétil impelindo-o por meios artificiais, usualmente químicos.
Arma branca de arremesso - aquela que não sendo arma de fogo, é
lançada a distância.
Arma branca de choque - arma branca usada em combate aproximado,
corpo-a-corpo.
Arma branca de haste - conjunto das armas brancas compostas por uma
lâmina ou ponta, uma haste de madeira ou metal com mais de um metro, e
que não pode se destina a ser arremessada.
Arma de arremesso - aquela que não sendo arma de fogo, lança projéteis
a distância.
Arma de choque - armas que causam dano pelo impacto (choque) direto
contra o alvo, sem serem arremessadas.
Arma de fogo - toda aquela que funciona mediante a deflagração de
uma carga propelente, explosiva ou não, pela qual é lançado no ar um
projétil.
Arma de fogo portátil - arma de fogo que pode ser transportada,
manejada e operada por uma só pessoa.
Armadura - conjunto das peças que protegem diretamente o corpo de
um homem ou animal.
Arpão - arma de arremesso ou de haste com ponta farpada.
Arrobas - Unidade arcaica de peso, equivalente a 14,689 kg.
Atiradeira - Forquilha de madeira ou de metal, munida de elástico,
com que se atiram pequenas pedras, e usada geralmente por crianças para
matar passarinhos.
Azagaia - lança curta que pode ser usada tanta como arma de
arremessou ou de choque.
B
Bacamarte - qualquer arma de fogo com a extremidade do cano mais
larga do que a culatra.
Bacinete - capacete de copa oval, inicialmente forjado de uma só
peça, daí o nome de bacinete - pequena bacia. No século XIV passou a
receber uma viseira retrátil.
Bainha - estojo longitudinal em que se mete a folha de uma espada
ou outro objeto análogo para que este não embote ou oxide.
Baioneta - termo genérico para a arma branca que se adapta na
extremidade da arma de fogo, para o combate de choque. A verdadeira
baioneta não tem gume, ferindo somente pela ação da ponta. Hoje em dia
esta arma é chamada de sabre pelo exército.
Bala - projétil esférico, alongado ou ogival com que se carregam
as armas de fogo. Também usado para indicar o projétil e o cartucho
juntos. Termo abandonado pelo exército hoje em dia.
Bala de festim - cartucho carregado com pólvora ou outro
propelente, mas sem projétil, para gerar o som e a fumaça do disparo.
Bala encadeada - projétil de artilharia lisa formado por duas
balas rasas ou por uma bala rasa cortada em duas, sendo estas duas peças
ligadas uma a outra por uma corrente. Usada contra massas de soldados ou
velame de navios.
Bala Rasa - projétil de ferro sólido, esférico, disparada de
canhões lisos. Durante algum tempo também se conheceram alguns projéteis
sólidos de artilharia raiada como balas rasas.
Balim - bala pequena, esférica, normalmente sendo termo usado para
indicar um dos componentes de projétil de fragmentação, como a
lanterneta e o shrapnel.
Banco de Prova - local ou instituição onde eram testados as armas
de fogo, recebendo então a aprovação para uso, normalmente em forma de
uma marca colocada sobre o cano.
Bastarda - espada longa (cerca de 1,2 metro), mas de comprimento
inferior ao espadagão de brecha (ou espada de duas mãos). Com punho
longo o suficiente para ser manejado com a mão esquerda no pomo, para
auxiliar no golpe. Também conhecida como espada de mão-e-meia.
Bazuca - arma antitanque composta por um tubo aberto em ambas as
extremidades e de grande calibre, no qual se coloca um foguete (rojão),
projétil autopropulsado. Conhecida no exército como lança-rojão.
Berço - peça de madeira que serve de reparo para os morteiros
antigos. Em reparos fixos, é a parte que fica sobre o corpo do reparo e
onde se coloca o canhão. O conjunto berço/canhão se deslocando com o
recuo.
Besta - arma de arremesso, composta de um arco preso
transversalmente a uma coronha e que disparava pelouros (balins) ou
virotes (setas).
Boca - "abertura por onde a bala entra e sai, na artilharia,
no canhão e também no fuzil antigo".
Boca-de-fogo - "diz-se genericamente com relação ao
armamento de grosso calibre, quer dizer, canhões, obuseiros, morteiros,
pedreiros, etc."
Bodoque - arco que disparava balins de barro endurecido ou pedras
ao invés de flechas.
Bolada - "tronco de cone que vai dos munhões à boca",
no canhão.
Boldrié - correia ou presilha de couro para prender, a tiracolo,
uma arma branca.
Bomba - Esfera de ferro fundido, oca, contendo pólvora. Lançada
por um morteiro de artilhara lisa, arrebenta quando a espoleta de tempo
comunica fogo à carga. Diferencia-se da granada de artilharia lisa por
seu calibre maior e por ter duas alças ao lado do ouvido, por onde a
bomba é suspensa, para o carregamento no morteiro.
Borduna - espécie de clava usada por índios brasileiros,
usualmente com a cabeça em forma de remo.
Borgonhesa - capacete de ferro, de copa oval, dotado de cimeira,
pala, orelheiras e cobre-nuca. Apresentava um visor ou, por vezes, uma
estreita baveira (proteção para o nariz).
Botafogo - "Pau que tinha na ponta o pedaço de morrão com
que se lançava fogo à peça de artilharia".
Bronze - designação genérica de diferentes ligas à base do
cobre. Na artilharia lisa o bronze era composto por cerca de 90% de cobre
com 10 % de estanho, variando estas proporções em até 5 % do total, de
acordo com o fundidor e com as impurezas da mistura.
Broquel - escudo antigo, redondo e pequeno.
C
Cacho de uva - projétil de artilharia lisa composto de balins
presos a uma estrutura de madeira e couro. Após o disparo o projétil se
desmancha, espalhando os balins.
Calibre - "diâmetro de uma arma de fogo, tamanho de sua
boca". "Na artilharia lisa, foi também o peso do projétil em
libras". No caso de canhões raiados o calibre é medido pelo diâmetro
do círculo inscrito, ou seja, a menor medida do interior do cano
Calibres - comprimento da alma de uma boca-de-fogo expresso pelo número
de diâmetros de sua boca que podem ser contidos ao longo da alma. Ou
seja, mede-se o comprimento da alma, dividindo-se em seguida pelo calibre.
Câmara - "cavidade de menor diâmetro que existe no fundo da
alma e serve para receber a carga de pólvora dos obuses, morteiros,
pedreiros, etc.". Também são conhecidos como câmara a cavidade
existente no interior das granadas e bombas e o espaço onde ocorre a
detonação de um cartucho em uma arma de fogo.
Câmara de explosão - o mesmo que câmara.
Canhão - "arma de fogo usada pela artilharia e destinada a
lançar diversos projéteis por meio de pólvora, ar comprimido ou
eletricidade(... ) exigindo para serviço o emprego de aparelhos, homens e
animais". Peça de artilharia de tiro tenso. Na artilharia lisa os
canhões eram as peças mais longas.
Canhão antiaéreo - peça de artilharia longa, de tiro tenso, com
reparo que permite grandes elevações, móvel ou, mais raramente fixa,
usada contra aviões.
Canhão anticarro - canhão de cano longo, tiro tenso, reparo leve,
móvel e de baixa altura, destinado a ser empregado contra carros de
combate.
Canhão antitanque - o mesmo que canhão anticarro.
Canhão antitorpédico - peça de artilharia de pequeno calibre e
alta cadência de tiro, usado em navios e fortificações costeiras para
repelir ataques de lanchas torpedeiras.
Canhão de bater - canhão pesado utilizado contra fortificações,
para derrubar muros, abrir brechas, etc. No século XVIII o canhão de 24
libras de calibre recebia este nome.
Canhão de costa - peça de artilharia, normalmente fixa, usada na
defesa costeira.
Canhão de praça - canhão mais pesado que o normal, normalmente
em reparos fixos ou pouco móveis, usado em fortificações.
Canhão de salva - pequeno canhão para dar salvas, ou seja,
"descargas de artilharia ou qualquer outra arma de fogo que se faz ao
mesmo tempo ou com intervalos, em honra de um personagem, de um pavilhão
estrangeiro, para saudá-lo, para celebrar uma vitória, para render
honras fúnebres".
Canhão de sítio- canhão de grosso calibre usado para atacar
fortificações.
Canhão Paixhans - canhão construído de acordo com o sistema
Paixhans.
Canhão revólver - canhão de pequeno calibre, com múltiplos
canos girando em torno de um mesmo eixo, a semelhança de um revólver,
usado no último quartel do século XIX.
Canhão sem recuo - peça de artilharia em que as forças do recuo
são compensadas pelo emissão de gases no sentido contrário ao do
movimento do projétil, ficando o tubo parado (sem recuo) durante o
disparo.
Canhão-obus - canhão que disparava obuses, o mesmo que canhão
Paixhans.
Canhão-pedreiro - tipo de canhão que dispara balas de pedra. O
mesmo que roqueira ou pedreiro .
Canhoneira - "abertura, espaldão, parapeito ou flanco de
navio, onde se põem o canhão, proporcionando a peça e serventes maior
cobertura possível(...)".
Capacete - proteção para a cabeça, metálica ou não.
Capacete de armadura - proteção para a cabeça que integra um
conjunto de outras proteções, formando uma armadura.
Capacete de combate - capacete de metal ou fibra sintética usado
na cabeça para proteção contra estilhaços de artilharia.
Carabina - arma de fogo mais curta que a espingarda, tendo entre
1,0 e 1,2 metro de comprimento. Se arma militar, é equipada com baioneta.
Hoje em dia, esta arma, no exército, é conhecida como Fuzil.
Carabina-bengala - carabina oculta em uma bengala.
Carabina-revólver - carabina com mecanismo de repetição baseado
em um revólver.
Caronada - "canhão curto e de pouca espessura, muito leve e
de alma lisa, sem munhões, de fácil manobra, movendo-se sobre um
ferrolho abaixo de seu centro, empregando projéteis ocos e cheios, usado
na marinha e flancos de fortificações, e muito em voga até a guerra da
Criméia. Deriva seu nome de Carron, na Escócia, onde se fabricaram as
primeiras caronadas ou carronadas".
Carregador de cartucho - o mesmo que carregador ou pente de munição/balas.
Pequena caixa ou tira, de metal, pano ou matéria plástica, onde se
colocam os cartuchos necessários ao funcionamento de uma arma.
b>Carreta - o mesmo que reparo. No Brasil, usava-se o termo para
designar especificamente o reparo de marinha de artilharia lisa. Tipo de
reparo muito usado em fortificações até o início do século XIX.
Carronada - o mesmo que caronada.
Cartucheira - banda ou estojo, de couro ou tecido, onde se colocam
os cartuchos.
Cartucho - carga para uma arma de fogo, envolta em papel, cartão,
pano ou folha metálica.
Cassetete - cacete curto, de madeira, metal ou borracha, usualmente
empregado por policiais.
Cavilha de vareta - acessório de armaria, peça metálica usada
perpendicularmente nas extremidades de varetas de armas de antecarga, para
auxiliar na remoção de balas encravadas ou outras obstruções no cano
da arma.
Celada - capacete cuja copa se alonga na parte posterior, formando
uma espécie de cobre nuca inteiriço, tendo na altura dos olhos duas
aberturas horizontais.
Cerco - "assédio, sítio, bloqueio de praça ou
fortaleza". Diz-se que um peça de artilharia é de cerco quando ela
é de grande calibre e usa reparo reforçado.
Chave de pistão - acessório de armaria, pequena chave de boca, as
vezes com uma agulheta na outra extremidade, usada para remover o pistão
das armas de fulminante.
Chuço de abordagem - arma de haste com uma ponta e, as vezes, um
gancho, a semelhança de um croque. Usada pelos tripulantes de embarcações
em abordagens.
Chumbeiro - estojo de couro ou madeira para colocação de chumbo
de caça.
Clava - nome genérico das armas de concussão formadas por uma
haste não muito longa, de madeira ou metal, usualmente com uma das
extremidades mais pesada que a outra, sendo esta extremidade guarnecida,
ou não, por peças de pedra ou metal.
Clavina - arma de fogo longa, com comprimento próximo ou inferior
a um metro, normalmente tendo com um gancho ou argola no lado esquerdo,
para prendê-la na sela do cavaleiro. Usada por homens a cavalo,
normalmente não tem baioneta. Este termo, no século XX, foi substituído
por mosquetão.
Claymore - espada típica de origem escocesa, originalmente era uma
arma longa, para uso com duas mãos, tendo a cruzeta terminada em decoração
simulando um trevo. Posteriormente o termo passou a ser empregado para
designar um sabre ou espada com comprimento assemelhado as espadas em uso
hoje em dia, com uma guarda complexa, de formato específico.
Cobre-mira - acessório de armaria. Peça de couro ou metal, usada
para proteger a alça de mira ou o mecanismo de uma arma de fogo (neste último
caso, sempre é de couro).
Cocharra - "peça da palamenta, espécie de colher que recebe
o cartucho e o leva à camara das bocas de fogo que a possuem, servindo
também para descarrega-la, e as vezes para limpar as paredes da alma,
substituindo a rascadeira. Na outra extremidade de sua haste está o
saca-trapos".
Cofre de munição - caixa de madeira ou metal onde se coloca a
munição de uma arma automática, pronta para uso na arma.
Coldre - originalmente, sempre usado no plural - coldres - eram
estojos de couro colocados nos lados da sela de um cavalo, para carregar o
par de pistolas ou outro tipo de armas de um cavaleiro. Posteriormente
passou a indicar um estojo de couro ou outro material, preso ao cinto,
para colocação de revólver ou pistola.
Colubrina - tipo de canhão mais comprido que o normal, tendo mais
de 25 calibres de comprimento. Originalmente era um tipo de canhão, de 20
libras de calibre.
Colubrina bastarda - colubrina com menos de 30 calibres de
comprimento.
Colubrina legítima - colubrina que tem mais de 30 calibres de
comprimento.
Cordel de limpeza (arma) - acessório de armaria. Tira de couro ou
fibra vegetal, com uma peça metálica na extremidade, onde se prende uma
escova ou outro acessório de limpeza. Usada nas armas de fogo para
manutenção do interior dos canos, para não danificar o raiamento dos
mesmos.
Corpo d'armas - proteção do corpo formada por uma túnica de
couro, forrada ou não por algodão.
Cota de malha - armadura de couro sobre a qual eram costurados anéis
ou pequenas chapas metálicas ou ainda, túnica formada por anéis de
ferro entrelaçados.
Couraça - armadura para o peito e costas ou somente para o peito.
Couraça frontal - parte da armadura que cobre o peito. Também
conhecida como peitoral.
Culatra - "parte posterior e reforçada dos fuzis e canhões".
Cunhete de munição - caixote de madeira, metal ou matéria plástica,
algumas vezes forrado internamente, em que se acondiciona a pólvora e
cartuchame. Também conhecido simplesmente como cunhete.
D
Dardo - pequena lança de arremesso.
Descavalgar - ato de desmontar uma peça de artilharia de seu
reparo.
Diamante - agulha que se mete pelo ouvido da peça de artilharia
lisa de carregar pela boca, para furar o cartucho ou limpar o ouvido.
E
Elmo - espécie de capacete largo que cobria a cabeça, repousando
sobre os ombros.
Escarcela - parte da armadura que protege da cintura ao joelho.
Esclavônia - espada de lâmina larga e punho em forma de cesto.
Inicialmente fabricada para uso dos guardas do Doge de Veneza, mas
posteriormente usada por outras nacionalidades, havendo alguns exemplares
no Brasil.
Escorva - "nome comum a todos os artifícios que se introduzem
no ouvido de uma arma para comunicar fogo à carga".
Escova de limpeza (arma) - escova, normalmente com uma rosca em uma
das extremidades para prender na vareta ou no cordel de limpeza, ou ainda,
provida de uma haste, para limpeza do interior dos canos das armas.
Escovilhão - escova de cerdas grossas, presas a uma haste longa,
usada para limpar a alma das bocas de fogo.
Escovinha - pequeno pincel, usado junto da agulheta, para limpar o
ouvido das armas de pederneira.
Escudo - arma defensiva, de dimensões variadas e de forma
circular, oval ou oblonga, mas que também pode apresentar outras
configurações, e que normalmente se usava no braço esquerdo, preso por
braçadeiras, para proteção individual.
Esmerilhão - ver "espingardão".
Espada - arma de choque, formada por uma lâmina comprida,
normalmente reta e pontiaguda, de ferro ou de aço, com gume em ambos os
bordos. O Exército Brasileiro usa, incorretamente, este termo para
designar os sabres de um só gume.
Espada baioneta - baioneta com lâmina cortante, de dois gumes.
Espada bastarda - o mesmo que bastarda.
Espada de instrução - espada de treinamento, pode ser de madeira
ou outro material, mas não dispõe de ponta ou gume.
Espaldeira - parte da armadura que protege o ombro. Por extensão,
parte da armadura que vai do ombro até a manopla. O mesmo que brafoneira
ou rebraço.
Espingarda - arma de fogo, de cano comprido, portátil, tendo mais
de 1,2 metro de comprimento.
Espingardão - antiga peça de artilharia. Espingarda pesada, usada
com forquilha em trincheiras ou amuradas de navios. Também chamada de
esmerilhão.
Espoleta - "artifício pirotécnico por meio do qual se opera
a explosão da carga dos canhões e projéteis ocos".
Espoleteira - pequeno estojo de couro onde se guardavam as
espoletas de uma arma de fulminante. O nome também designa um pequeno
estojo colocado na coronha de algumas armas de fogo de caça, onde se
guardavam espoletas.
Espontão - lança curta (com menos de 2,5 metros), com cruzeta,
reminescente do pique. Era usado pelos sargentos e oficiais como insígnia
de posto e arma de defesa até o século XIX.
Estilete - punhal de lâmina fina, sem gume, usado como instrumento
perfurante.
Estojo (arma) - Quando se trata de munição, o termo é o mesmo
que cartucho.
Estojo de limpeza - caixa, de formato especial, contendo peças de
limpeza de armamento.
Estopim - acessório de munição, antigamente era uma mecha de
pano embebida em uma mistura de queima lenta, para transmitir fogo a
carga, em um tempo específico. Depois passou a ser um tubo de papel, pena
ou metal, com composição que queimava com velocidade programada.
Estoque - espécie de espada comprida e reta, de seção triangular
ou retangular, e que só fere com a ponta.
Estrepe - antiga peça militar de ferro, com pontas, e que quando
é jogado no chão, uma das pontas sempre fica para cima, de forma a
dificultar o avanço da cavalaria. Uma forma desta munição ainda é
usada nos dias de hoje, sendo conhecida como "miquelão".
Explosivo - substância inflamável que pode produzir uma comoção
acompanhada de detonação, produzida pelo desenvolvimento súbito de uma
força ou a expansão súbita de um gás.
F
Faca - instrumento cortante, curto, composto de cabo e lâmina,
reta ou curva, mas com apenas um gume.
Faca de caça - faca usada na perseguição, morte, esfoladura e
preparo de animais selvagens.
Facão - faca longa, usada em combate e na caça ou como ferramenta
para abrir picadas, cortar lenha, etc.
Falconete - "diminutivo de falcão; era uma bombarda de tiro
direto usada do século XV ao século XVIII, algumas feitas para atirarem
balas de metade do peso das do falcão; outras de ¼ de lb a 3 ou 4 lb.
Seu peso era de cerca de 400 lbs [184 kg]. Seu comprimento de perto de 5 pés
[165 cm]; outras havia de mais comprimento e peso; também se chamou de
bombarda-alongada".
Ferro - metal, símbolo Fe, massa atômica 55,85. Em artilharia se
empregaram o ferro forjado (quando o ferro do canhão era trabalhado a
quente, por meio de golpes de martelo) ou o ferro fundido, quando este era
aquecido até sua fusão, ligando-se com certa quantidade de carbono.
Fiador de arma - acessório de armaria. Cordão de couro, tecido ou
outro material que, preso a arma, passava pela mão do operador, para que
a arma não fosse solta acidentalmente.
Flambérgia - espada com gumes sinuosos. O mesmo que flamante.
Flecha - haste cuja extremidade dianteira é ordinariamente munida
de uma ponta triangular chanfrada na base, enquanto a outra extremidade
normalmente tem empenagem. Só é utilizada em conjunto com o arco.
Florete - tipo de estoque curto, hoje em dia designa arma para prática
da esgrima, tendo a lâmina seção prismática e um botão na ponta.
Foguete - projétil impulsionado por carga própria. O mesmo que
rojão.
Foguete de iluminação - tipo de foguete cuja carga militar é
composta por elementos químicos que geram luz.
Foice de guerra - arma de haste com lâmina curva, semelhante a uma
foice.
Fôrma de balim - acessório de armaria. Estojo com cavidade
central oca, na forma de um ou mais balins, usado na fundição de munição.
Fortaleza - "em fortificação é praça fortificada, conjunto
de fortificações permanentes, tendo em regra, considerável extensão,
todavia menor que a praça de guerra propriamente dita".
Forte - Obra fechada de fortificação permanente ou
semi-permanente, de forma poligonal, maior que o reduto.
Fortificação - "ramo da arte da guerra que tem por fim
organizar militarmente uma posição de modo tal que a tropa que a ocupa
possa aí resistir". Termo genérico para todos os tipos de obras
fortificadas.
Fortim - "forte de construção provisória, pequeno, servindo
para defender uma posição estratégica, podendo ser ponto de apoio de
tropas, tanto para avançar como para se por em retirada. Sendo uma
fortaleza ou sistema defensivo um composto de vários fortes, aos menores,
por se distinguirem dos maiores se dá o nome de fortim".
Funda - laço de couro, corda ou pano, com um recipiente na sua
parte mediana, onde se coloca o projétil. Girando a funda, o atirar
dispara o projétil se valendo da força centrífuga.
Fuzil-metralhadora - metralhadora portátil equipada com bipé e
alimentada por carregar metálico.
Fuzil - peça metálica dos fechos de pederneira, que, ao ser
percutida pelo cão com o sílex, produz faíscas que detonaram a escorva.
Por extensão, toda arma com fecho de sílex. No Brasil, devido à influência
francesa, o termo passou a indicar a espingarda de uso militar no final do
século XIX.
G
Gládio - espada curta, com lâmina com lâmina mais delgada no
forte do que na ponta.
Gorjal - parte da armadura que protege o pescoço. Posteriormente
este nome foi dado a uma peça de armadura simbólica, em forma de pequena
meia-lua, usada como insígnia de oficiais.
Granada - antiga designação para o projétil esférico, oco, que
se enchia de pólvora a qual era detonada por uma espoleta de tempo. Usada
por obuseiros de artilharia lisa Atualmente, todos os projéteis
explosivos de artilharia raiada são chamados de granadas.
Granada de iluminação - granada cuja carga, ao invés de ser de
material explosivo, é composta por substâncias que produzem iluminação
no campo de batalha.
Granada de mão - granada de pequeno porte. São divididas,
basicamente, em dois tipos: defensivas e ofensivas. As primeiras geram
maior número de estilhaços em um raio maior de ação, enquanto as
outras, com efeitos de menor alcance, podem ser arremessadas por um
atacante, sem que seus efeitos o ameacem. Pode ser usada manualmente ou
por meio de um fuzil.
Granada de trincheira - Até o início do século XX, indicava uma
granada esférica muito pesada, a ponto de não poder ser atirada com a mão
e que se deixava rolar muro abaixo em fortificações. Hoje em dia é o
mesmo que granada de mão defensiva.
Granada Fulmígena - granada de artilharia carregada com produtos
químicos para produzir fumaça ou gases tóxicos. Também chamada de
granada de fumaça.
Greva - parte da armadura que protege a perna entre o joelho e o
tornozelo.
Gribevaul (sistema) - sistema de fabricação de bocas de fogo,
introduzido em 1765 na França, tendo em vista a diminuir o peso dos canhões
e padronizar o material de artilharia daquele país. Algumas das modificações
introduzidas por Gribevaul tornaram padrão em todos maiores exércitos do
século XIX como pode ser deduzido de manuais de época.
Guarnições - (no plural) diferentes peças de metal que reúnem,
reforçam e preservam as diversas peças da arma de fogo.
I
Iatagã - tipo de sabre curto, com lâmina em dupla curva, usado
por povos orientais. Por extensão, toda a arma de dupla curva.
Ivirapema - maça ou tacape indígena, usado em rituais antropofágicos.
L
Lança - arma de haste ou arremesso composta de uma haste de
madeira ou metal, terminada em ponta perfurante de madeira, osso, pedra ou
metal.
La Hitte (sistema) - sistema de colocação de raias em canhões,
inventado por Treuille de Beaulieu. Experimentado numa escola de
artilharia dirigida pelo general La Hitte recebeu incorretamente no Brasil
o nome de sistema La Hitte. Consistia na brocagem, em canhões de
antecarga, de seis raias profundas na alma . O travamento do projétil se
dava por meio de botões de metal macio presos no projétil e que se
encaixavam nas raias.
Lanada - "Peça de palamenta, constando de haste que tem uma
das extremidades envolta em pele de ovelha com a lã para fora e com qual
se faz a limpeza da alma do canhão ou a refresca".
Lança rojão - o mesmo que bazuca. Arma composta de um cano leve,
no qual se coloca um foguete (rojão), na ponta do qual há um granada.
Por este ser autopropulsado, a arma não tem recuo, podendo ser usada do
ombro de um homem a pé.
Lanterneta - tipo de metralha feito de balins de chumbo ou ferro
colocados em uma caixa metálica, de formato cilíndrico, que se desfazia
no momento do disparo, espalhando os balins.
Lavadouro - acessório de armaria, o mesmo que porta-pano.
Libra - o mesmo que arrátel. Unidade arcaica de peso, equivalente
em Portugal a 459,05 gramas.
Lisa - diz-se da peça de artilharia que não tem raias.
M
Maça - bastão curto, de madeira ou metal, com uma das
extremidades mais grossas, usado como arma de choque. Ver clava.
Machada - machado pequeno de cabo curto, Machado largo usado também
como arma.
Machadinha - pequeno machado.
Machadinha de abordagem - pequeno machado usado pelos artilheiros
dos navios a vela para o serviço das peças, cortar cabos e ganchos de
abordagem e no combate corpo a corpo.
Machado de guerra - arma que normalmente tendo uma lâmina mais
larga e cabo mais curto que o machado comum.
Machado de sapador - machado grande e pesado usado por soldados
escolhidos ou por tropas de engenheiros, para executar trabalhos de sapa,
destruir fortificações ou para o combate corpo a corpo. Posteriormente,
no Brasil, transformou-se em insígnia, perdendo sua função utilitária.
Manopla - luva de ferro que fazia parte das antigas armaduras. O
mesmo que guante.
Máquina de guerra - termo arcaico, que designava as armas, de fogo
ou não, que só podiam ser usadas por um grupo de homens, devido ao seu
peso.
Marcas de banco de prova - gravações feitas nas bocas-de-fogo
para indicar sua aceitação para o serviço, variavam de acordo com o país.
Marcas de peso - marcas colocadas nas bocas-de-fogo para indicar
seu peso. Até a introdução do sistema métrico decimal, eram marcadas
as libras que a peça pesava ou, mais usualmente o peso era inscrito na
seguinte forma: "25-3-4", indicando a peça ter 25 quintais, 3
arrobas e 4 libras, ou seja, 1514,85 quilogramas (no caso de um canhão
português).
Martelo de guerra - espécie de maça, com um travessão
perpendicular a extremidade da haste, terminando este em ponta, gancho,
bico ou chapa, semelhante a um martelo.
Mecha - o mesmo que morrão. Pavio de fios torcidos, embebidos em
produtos químicos que faziam com que o mesmo queimasse lentamente. Sua
ponta, em brasa, era aplicada ao ouvido de armas para as disparar. Por
extensão, todas as armas de fogo portáteis que usavam o morrão eram
chamadas "de mecha".
Metralha - "projétil composto de balins de chumbo, pedaços
de ferro, de forma e tamanhos irregulares, pregos, etc (...) Dá-se este
nome às próprias balas ou biscainhas com que se carregam os canhões".
Metralhadora (máquina) - Arma de fogo longa que, aproveitando a
expansão dos gases ou da força do recuo, realiza automaticamente o
processo de alimentação de um cartucho na câmara, a detonação do
mesmo e a sua ejeção. Antigamente as armas que usavam da força manual
para realizar esse ciclo eram chamadas de metralhadoras, sendo estas
conhecidas hoje como metralhadoras mecânicas.
Metralhadora antiaérea - metralhadora equipada de reparo antiáereo.
Metralhadora de mão - metralhadora de desenho mais simples e leve,
normalmente menor do que um fuzil, destinada a ser usada por um só homem.
Normalmente usa cartucho de pistola.
Metralhadora leve - metralhadora portátil, equipada com bipé.
Normalmente pesa menos de 15 kg.
Metralhadora mecânica - arma de fogo de repetição, capaz de múltiplos
tiros por minuto, onde o carregamento, disparo e ejeção dos cartuchos não
era feito pela dos gases da detonação dos cartuchos, mas sim pela ação
humana ou de um motor.
Metralhadora pesada - metralhadora equipada com reparo de tripé ou
fixo. Tem mecanismos de refrigeração, ou canos mais resistentes, que
permitem manter uma elevada cadência de fogo por períodos longos.
Metralhadora portátil - todas as metralhadoras construídas de
forma a serem transportadas por um homem ou animal, sem necessidade de
desmonte.
Mina - Engenho de guerra empregado em terra e mar, consistindo de
uma carga explosiva dissimulada, enterrada, pendurada, flutuante ou
submarina - esta última ancorada ou livre, que detona por ação mecânica,
de tempo, magnética, por percussão ou por comando elétrico. Até o século
XIX, o termo designava escavações cheias de explosivos feitas por
atacantes por baixo de muralhas de fortes, para derrubá-los.
Mina aquática - mina usada para danificar ou afundar embarcações.
Existem diversos tipos: de fundo, de ancoragem ou de deriva; de detonação
mecânica, elétrica, sonora ou magnética; automática ou de comando. No
século passado também eram conhecidas como "torpedos", porém
essa denominação caiu em uso no Brasil após c. 1880.
Mina terrestre - artefato explosivo usado para matar, ferir ou
incapacitar indivíduos ou veículos terrestres. As minas normalmente são
enterradas e existem em dois tipos básicos: anti-pessoal, reguladas para
explodir com pressões leves; e anti-carro, reguladas para detonar com
pressões maiores do tipo causado por uma viatura. Um tipo menos comum de
mina é aquela que é usada na superfície, com campo de fogo controlado,
para proteção de vias de acesso.
Misericórdia - punhal que os cavaleiros traziam do lado direto do
cinto e que usavam no combate corpo a corpo para penetrar as juntas de uma
armadura ou para matar um adversário derrubado, a menos que este pedisse
misericórdia. Posteriormente passou a ser um acessório de esgrima com
Rapieiras, sendo usada na mão esquerda. Este punhal também é conhecido
como punhal de mão esquerda ou simplesmente como mão esquerda.
Morrão - o mesmo que mecha (ver).
Morrião - capacete sem viseira, com uma cimeira alta e orelheiras.
Morteiro - na artilharia lisa "boca-de-fogo curta e de grosso
calibre, lembrando a forma do almofariz ou gral, que atira por elevação
bombas e granadas(...). O tiro do morteiro se denomina de alta trajetória".
Atualmente o morteiro é uma boca-de-fogo usada para disparar granadas em
ângulos sempre superiores a 45º.
Mosquetão - termo que no Brasil indica a arma de fogo longa, menor
que a carabina, e que era usada pelos soldados de cavalaria e artilharia.
Dispunha de baionetas. Após o início do século XX, as clavinas passaram
a ser chamadas de mosquetões.
Mosquete - arma de fogo semelhante a espingarda, porém muito mais
pesada e de maior calibre. Por isso precisa de um apoio, geralmente uma
forquilha, para ser usada.
Munição - "provisões de tudo que é necessário a um exército
ou praça de guerra, como víveres, projéteis, armas portáteis, pólvora,
cartuchos, ferramentas diversas, etc." Atualmente se entende como os
elementos descartáveis que servem para o disparo de uma arma.
Muralha - "Muro de praça fortificada, recinto de fortaleza.
Quando se fala de muralha de uma praça se não trata de obras exteriores,
se entendendo recinto contínuo, porém, no plural muralhas, abrange todas
as obras, tanto interiores como exteriores".
O
Obuseiro - "boca-de-fogo mais comprida do que o morteiro e
mais curta do que o canhão, tendo os munhões quase a meio. Seus projéteis
são a granada e a metralha". Seu tiro é caracterizado por uma
trajetória curva, em oposição a trajetória mais tensa do canhão. Também
conhecido como obus.
P
Padrão Gribevaul - o mesmo que sistema Gribevaul .
Paixhans (canhão) - peça de artilharia feita de acordo com o
sistema Paixhans.
Paixhans (sistema) - tipo de canhão inventado por Paixhans e
adotado na França em 1837, tendo uma câmara e paredes do tubo finas,
disparando projéteis ocos e sólidos em trajetórias tensas, reunindo as
vantagens dos canhões e obuseiros. Também conhecidos como canhões-obuses.
Pala de boldrié - alça de couro ou metal que, presa ao boldrié,
ao talim ou ao cinto, serve para suspender uma arma.
Palamenta - "Todo conjunto de aparelhos acessórios necessários
ao serviço do canhão".
Palanqueta - projétil de artilharia lisa composto de dois hemisférios
ou cilindros, ligados por uma trave de ferro, rígida ou móvel, e que era
usado contra o velame de embarcações.
Partazana - arma de haste terminada em ponta, atravessada
perpendicularmente por um ferro em forma de meia lua, com gume em direção
a ponta. Usada pela infantaria nos séculos XIII a XVII e, a partir dessa
data, por oficiais, como insígnia de posto.
Peça - "em artilharia nome genérico de toda boca-de-fogo,
também designando o conjunto da boca-de-fogo e reparo". Por ser a
boca-de-fogo mais comum, no Brasil, se usava o termo peça para designar o
canhão.
Peça de artilharia - o mesmo que peça .
Peça de batalhão - peça de artilharia lisa , leve e curta (17
calibres ou menos), feita para acompanhar a marcha dos batalhões de
infantaria, aos quais ficava adida.
Peça de desembarque - peça de artilharia, leve e de pequeno
calibre, que servia para acompanhar tropas navais quando desembarcavam em
combate. Semelhante a peça de batalhão .
Peça de montanha - tipo de boca-de-fogo bem mais leve que a peça
de campanha e na qual o reparo (e as vezes o próprio tubo) pode ser
dividido em cargas menores para o transporte no dorso de animais.
Peça de regimento - o mesmo que peça de batalhão .
Peça de rodízio - o mesmo que rodízio . Canhão para ser
empregado em rodízio.
Pedreiro - "canhão antigo, curto, que a princípio lançava
grandes projéteis que eram pedras (...) também se chama de peça
pedreira", ou ainda - Canhão-pedreiro. A partir do final do século
XVII pedreiro passou a ser um tipo de morteiro, leve, destinado a disparar
pedras soltas contra fortificações.
Peixeira - termo regional do nordeste brasileiro para um tipo de
faca longa, de lâmina triangular, e com gume muito cortante.
Pente de munição - carregador de munição das armas automáticas
ou semiautomáticas, usada para alimentar as mesmas. Ver carregador de
cartuchos.
Pio de caça - apito ou instrumento que imita o som de uma ave,
para atraí-la.
Pique - arma de guerra composta de uma haste comprida de madeira
guarnecida de um ferro chato e pontiagudo. Inicialmente tinha um grande
comprimento, chegando a ter cerca de cinco metros, porém foi sendo
reduzida com o tempo, tornando-se no espontão.
Pirâmide - projétil de artilharia lisa, de uso naval ou contra
embarcações, composto de uma série de balins presos a uma estrutura metálica.
Pistola - arma de fogo portátil, de cano curto, usada com uma só
mão, podendo ser de tiro simples, de repetição, semi-automática ou
automática, mas nunca com tambor ou canos rotativos.
Pistola metralhadora - o mesmo que metralhadora de mão.
Pólvora - "assim se denominam todo corpo que, sob uma influência
qualquer, como seja a proximidade de outro corpo em ignição, ou outro
meio qualquer, se decompõem e subitamente produz grande quantidade de
gazes".
Pólvora negra - tipo de pólvora formado pela mistura mecânica de
salitre, enxofre e carvão de madeira em proporções variáveis.
Existiam, basicamente, dois tipos, o polvorim e a pólvora granulada,
formada pela grãos mais grossos da mistura.
Polvorim - pólvora negra em pó, sem a formação de grãos, sendo
muito fina e mais fraca do que a pólvora granulada.
Polvorinho - estojo em que se carrega a pólvora ou polvorim para
carregar ou escorvar armas de fogo.
Porrete - tipo de maça curta com uma das extremidades
arredondadas.
Porta-pano - acessório de armaria composto de uma haste,
normalmente metálica, com um rasgo longitudinal, onde se colocam trapos,
para limpeza do cano de uma arma. Normalmente o porta pano é preso a uma
vareta ou a um cordel de limpeza.
Praça - "espaço, área, fortaleza, lugar fortificado com
muro (...) praça de guerra: cidade, vila ou povoado cingido por obstáculos
naturais ou artificiais dispostos e combinados de modo a defenderem
reciprocamente suas guarnições respectivas, por tempo maior ou menor, do
ataque de forças superiores que procurem toma-la e ocupar o terreno que
cobrem; se distinguem das fortalezas em serem muito mais extensas".
Praça-d'armas - em fortificações, designa "terreno livre e
espaçoso onde se reúne a guarnição de uma cidade (...) obras no
caminho coberto, nos salientes e reentrantes e paralelas de sítio onde se
reúnem tropas, durante um sítio, para repelir o ataque; parada, lugar de
parada ou assembléia".
Pranchada - peça de ferro, bronze ou chumbo que servia para tapar
o ouvido dos canhões, impedindo a entrada de umidade no seu interior.
Primeiro Reforço - parte do canhão que vai da moldura do fogão
até a moldura do primeiro reforço.
Projétil - "do Latim pro, para frente, e jectus, lançado;
todo corpo arremessado no espaço por forte ímpeto; corpo lançado no ar
com velocidade e direções tais que possam atingir a grandes distâncias
seres vivos ou obstáculos materiais, inutilizando-os".
Projétil oco - tipo de projétil de artilharia com uma câmara
onde se coloca uma carga de ruptura, com ou sem balins. A detonação da
carga de ruptura estilhaça o projétil, causando danos pela concussão,
fragmentação ou balins do projétil.
Propelente - elemento que serve como carga de projeção nas armas
de fogo.
Q
Quintais - Unidade arcaica de peso, equivalente a 58,758 kg.
R
Raiada - "que tem raias ou estrias; oposto de liso".
Raias - "são caneluras ou estrias abertas na alma dos canhões
e armas de fogo, tendo por fim guiar o projétil ao mesmo tempo que lhes
imprimindo movimento de rotação em torno de seu eixo".
Rapieira - espada longa e fina usada principalmente em esgrima de
ponta.
Ratoeira - armadilha para capturar ou matar ratos.
Rebrocada - diz-se da peça de artilharia que, após fundida e
utilizada, teve sua alma alterada por uma nova passagem de uma broca, seja
para colocar raias seja para aumentar-lhe o calibre .
Recuo - "ato ou efeito de recuar, espaço que o canhão
retrocede ao disparar, movimento de toda a arma de fogo em sentido
contrario ao do tiro".
Reduto - "é um polígono regular ordinariamente e não raro
um quadrado (...) Serve de apoio aos flancos de uma posição". Esta
obra defensiva só defende um flanco.
Reparo - Suporte de uma arma de fogo, normalmente com dispositivos
que permitem dar-lhe os movimentos necessários a execução da pontaria
e, em certos casos, limitar-lhes o recuo e facilitar-lhes o transporte.
Reparo a Onofre - tipo de reparo de artilharia de costa composto de
um berço triangular com rodas de pequeno diâmetro, de invenção do
construtor do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, Manoel José Onofre, em
1822.
Reparo de canhão - reparo usado em canhões ou obuseiros.
Reparo de crinolina - tipo de reparo de artilharia raiada,
semelhante ao de pião central , no qual o eixo onde gira o tubo ou o berço
é suportado por uma estrutura de barras metálicas em forma de cone,
semelhante a uma crinolina.
Reparo de falcas - reparo de artilharia de campanha, praça ou sítio,
de rodas de raios, onde o tubo se apoia em falcas , que vão dos munhões
até o solo.
Reparo de flecha - reparo, normalmente de campanha, onde as falcas
são substituídas por uma trave única (flecha) que vai até o solo.
Reparo de marinha - tipo de reparo usado em embarcações, até o século
XIX, reparo de quatro rodas usadas em navios e fortes. Também conhecido
como carreta.
Reparo de metralhadora - reparo usado por metralhadoras leves, médias
ou pesadas ou por fuzis-metralhadoras, quando empregados como
metralhadoras leves.
Reparo de patesca - tipo de reparo de fortaleza, no qual as rodas são
inteiriças (patesca).
Reparo de pião central - tipo de reparo de artilharia onde o berço
da peça gira sobre um eixo central, fixo ao solo.
Reparo de pivô - reparo fixo, em que o berço oscila em torno de
um pivô, podendo este estar localizado no centro de gravidade do reparo
ou na parte dianteira do mesmo.
Reparo hidropneumático - reparo de artilharia onde o recuo da peça
como um todo é eliminado, no todo ou parcialmente, pela ação de
mecanismos hidráulicos e de mola existentes no berço, fazendo com que só
o tubo recue durante o disparo.
Retrocarga - "ação ou efeito de carregar pela culatra, em
oposição ao antigo, que era pela boca".
Revólver - arma de fogo portátil, provida de um mecanismo que
tira um tambor ou múltiplos canos ao redor de um eixos, podendo dar
tantos tiros quantos forem as câmaras do tambor ou canos da arma.
Rodízio - peça de artilharia colocada em um reparo que permite a
pontaria em um angulo de 360 graus ao redor de um eixo vertical.
Rodízio de Proa - pequeno rodízio normalmente colocado nas proas
de embarcações.
Roqueira - "antiga peça de artilharia que lançava pelouros
[projéteis] de pedra". O mesmo que canhão-pedreiro.
S
Sabre - arma branca, reta ou curva, com gume integral em apenas um
lado da lâmina, apesar de poder ter um pequeno trecho com gume nos dois
lados da lâmina, na extremidade da mesma (bisel). O exército brasileiro
hoje em dia usa o termo sabre para designar o sabre-baioneta e o termo
espada, para designar os sabres normais.
Sabre de abordagem - sabre curto, com guarda fechada para proteger
bem a mão, sendo que o punho e a guarda muitas vezes são feitos de latão
ou aço oxidado, para evitar a corrosão causada pelo sal marinho.
Sabre de instrução - sabre sem gume e ponta, podendo ser feito de
madeira, usado no treinamento de esgrima militar.
Sabre-baioneta - pequena faca adaptável à boca de armas de fogo
longas e usada para o combate corpo a corpo. Hoje em dia, o exército
brasileiro usa apenas o termo sabre para designar esta arma.
Sabre-baioneta-iatagã - sabre baioneta adotado na França em 1842
e que tem uma lâmina semelhante a de um iatagã. Este tipo de baioneta
alcançou grande popularidade, sendo usado por diversos países.
Saca-balas - acessório de armaria formado por uma peça metálica,
com uma rosca para prender à vareta e pequenos ganchos na outra
extremidade, servindo para remover balas de armas de carregar pela boca.
Seta - o mesmo que flecha.
Shrapnel - tipo de granada cheia de balins e que explode no ar
devido a ação de uma espoleta de tempo, dispersando os balins contra
concentrações de tropa. Inventado no final do século XVIII por William
Shrapnell.
Sílex - O mesmo que pederneira. Calcedônia misturada com sílica
hidratada ou quartzo, lapidada, usada para fazer faíscas quando
percutindo sobre uma peça metálica, o fuzil.
Sítio - "é um dos processos regulares ou metódicos de
ataque a uma praça constituindo a chamada guerra de sítio e consta de
uma série de operações e trabalhos de aproxes que o sitiante pratica,
sob a proteção de sua artilharia (...) Artilharia de sítio, trem de
bateria, [é a] equipagem regulamentar montada em veículos e destinada ao
ataque de fortaleza; são canhões pesados e de muito calibre".
Soquete - "Maço roliço, com cabo, que na artilharia de
antecarga serve para calar a pólvora no canhão, ou no canudo dos
foguetes".
Submetralhadora - o mesmo que metralhadora de mão.
T
Tacape - espécie de clava dos índios brasileiros, normalmente
tendo uma seção arredondada ou roliça.
Taco - peça de madeira, palha ou corda, usada nas bocas de fogo de
carregar pela boca para manter a carga e o projétil na alma servindo, ao
mesmo tempo, para conter um pouco os gazes da detonação.
Talabarte - alça de couro ou pano, usada presa a um ombro e indo
terminar no cinto, onde prende uma arma branca.
Tapa-boca - "cilindro de madeira que, introduzido na boca do
canhão serve para o preservar internamente da umidade, poeira, etc.;
sendo seguro por uma coleira". Também conhecido simplesmente como
tapa.
Tarugo - cilindro de madeira ou metal que, introduzido na boca de
uma arma de fogo portátil serve para proteger a alma das intempéries e
sujeira.
Terçado - sabre curto, reto ou com lâmina encurvada, usado por
soldados de infantaria entre os séculos XVII e XIX. Os primeiros sabre
baionetas, distribuídos a infantaria ligeira no Brasil, eram semelhantes
aos terçados e, por serem usados em rifles, eram conhecidos como refles,
o termo se estendendo, posteriormente, para os terçados normais.
Testeira - peça da barda, armadura do cavalo, destinada a proteger
a cabeça do animal.
Torpedo - Inicialmente, o termo se aplicava às cargas explosivas
usadas por pequenas embarcações contra navios. Posteriormente, passou a
ser um engenho explosivo de forma cilíndrica alongada, autopropulsado ou
teleguiado, usado no mar.
Travamento (nas raias de uma boca-de-fogo) - ação que o projétil
sofre para se encaixar nas raias da alma, permitindo a ação das mesmas
em dar movimento rotativo ao projétil.
Tridente - arma de haste terminada em três pontas, normalmente
empregada na pesca.
Tubo - em artilharia eqüivale a cano de uma boca-de-fogo.
Tubo de gás venenoso - artifício pirotécnico destinado a
produzir fumaça ou gazes tóxicos, para desalojar defensores de espaços
fechados.
Tubo-alma - parte mais interior de um cano de boca-de-fogo, quando
este é composto por diversos tubos (ou fretes). Na artilharia fundida é
o mesmo que o cano do canhão.
V
Vara de visgo - pequeno pedaço de madeira ou bambú, coberto de
visgo, para prender pássaros. Usado como equipamento de caça.
Valiere (sistema) - sistema de fabricação de bocas de fogo
introduzidas na França em 1732, reduzindo o número de calibres e as
dimensões das bocas de fogo a um padrão uniforme.
Vareta - haste longa, de madeira ou metal, usada no carregamento
das armas de fogo de carregar pela boca ou para limpeza de canos de armas.
Vento - "em arma de fogo é o espaço que medeia entre o projétil
e a parede da alma ou diferença entre o adarme do cano e o diâmetro do
projétil".
Vergueiro - cabo ou corda grossa que prendia os canhões de navio
aos costados do mesmo, limitando-lhes o recuo.
W
Whitworth (sistema) - sistema de raiamento onde a rotação do projétil
é dada pelo ajuste mecânico deste na alma, tendo ambos a seção
hexagonal. Usado no Brasil de 1863 até a década de 1920, em modelos de
ante e retrocarga.
Z
Zarabatana - tubo comprido pelo qual se impelem, com o sopro, setas
e pequenos projetis, usado na caça.
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